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terça-feira, julho 19, 2011

Notas

Uma montanha por cumprir, solidões por agrupar. O país do anúncio, diferente daquele que guardamos na memória mas que existe no precipício da esperança.
Manuel Fúria


Dá-me a voz das pedras, das pedras dá-me a voz
Não largar a festa, não largar a foz
Tenho um arcaboiço e uma faca afiada
Mas ainda não sou 
Os Velhos


Cada artista vem ao mundo para dizer só uma coisa, une seule toute petite chose. É só isso o que tem de encontrar, agrupando tudo o resto em redor dela. 
Paul Claudel

sexta-feira, julho 15, 2011

O tempo está do meu lado

Não acredito nos revivalismos, do mesmo modo que não acredito na República: a coisa até se faz, mas soa farsola. Reitero: tudo vem do passado, do futuro e do presente, sem distinção aparente, 3-2-1, já!
O tempo é meu e está do meu lado, tal qual Mick Jagger o canta. Tenho quantos anos quiser, vivo no ano que for preciso, ando perdido pela História. Das coisas do homem e das coisas de Deus. 

A primeira categoria da consciência histórica não é a memória ou a lembrança: é o anúncio, a expectativa, a promessa. F. Nietzsche

quinta-feira, fevereiro 10, 2011

Primeiro passo

A possibilidade de encontrar reminiscências da verdade na comunidade em que nos inserimos, na nossa rua, na nossa vila, no nosso país, é um facto e parte, apenas e só, da disponibilidade interior para nos descentrarmos do umbigo que a sociedade contemporânea insiste, promove e insiste. O mesmo umbigo cuja obsessiva admiração nos faz bater contra as paredes. Tirania hedonista, tirania egocêntrica. Qualquer coisa desse género. Ao assumirmos a transcendência daquilo que somos, herdeiros de histórias, produto de séculos, filhos, netos e bisnetos de uma invenção bem mais larga que nós, damos o primeiro e certeiro passo em direcção ao que realmente nos consome e faz arder por dentro e por fora. O primeiro passo em direcção à verdade. É preciso dizer eu não sou eu, mas o outro, é necessário situarmos-nos de novo num lugar comum, o lugar de toda as pessoas que partilham as mesmas histórias, o mesmo peso, os mesmos avós. Chamemos-lhe pátria. Chamemos-lhe casa. Chamemos-lhe amor.
Mas o largo horizonte daquele que tem fé, a propensão mística de uma certa cristandade dá um segundo e importante passo. O da consciência da finitude. Da consciência que nada, nem mesmo nós somos propriedade seja de quem for - o nosso corpo não é nosso, mas um empréstimo a longo prazo se soubermos estar à altura da sua esplêndida arquitectura. Da assunção de que este estágio não é senão um treino para algo maior, algo que realmente nos transcende e que ansiamos com ardor. 

E se a pátria acabar? A pátria de um cristão não é deste mundo. Um cristão deve sacrificar a pátria à verdade.

Não depende da nossa vontade esse imortal desígnio, e a questão de Miguel de Unamuno é derradeira lição de insignificância. Mas antes, repito, dá-se o primeiro passo.

quarta-feira, dezembro 29, 2010

Intimidade ii

estrada velha
casa antiga
pus o dedo na tua ferida

do cancioneiro dos Capitães da Areia

Intimidade i



Não está em meu poder a possibilidade de escapar a esta intimidade com uma certa ideia de Portugal. É uma associação recíproca entre o sujeito da canção e as ruínas que restam de um país que não é o da Selecção Nacional de Futebol, nem do Tomás Taveira, nem dos centros-comerciais-que-são-os-maiores-da-península. É de outra ordem e é possível encontra-lo nesses lugares ondes os homens jogam cartas e falam pouco, onde o porco é morto em família, onde a maquinaria das coisas reserva-se a não alinhar com uma certa ideia de progresso.

segunda-feira, dezembro 27, 2010

A cruz que me foi entregue

Não será tanto uma inclinação patriótica como ideia de uma disposição serviçal, discricionária, indiferenciada aos desígnios da nação, mas antes qualquer coisa mais próxima dos versos de Alexandre O'Neill no poema Portugal (Feira Cabisbaixa, 1965): "Portugal: questão que eu tenho comigo mesmo, / golpe até ao osso, (...) meu remorso, / meu remorso de todos nós...". 

quinta-feira, novembro 04, 2010

A Verdade Nacional! surge porque a prótese dentária que colocaram 
na boca de Portugal não substitui o marfim que sonhamos para ele.

quarta-feira, novembro 03, 2010

Nome

Eu gosto de rótulos. É uma maneira simples e fácil de organizar o mundo. Poupam-se mal entendidos embora se criem outros, mas esses têm piada, ou pelo menos dão alguma pica. Por isso tenho tentado dar um título, mais ou menos pomposo, à visão que tenho das coisas do mundo. Depois de duas tentativas mais ou menos infelizes acredito ter encontrado o rótulo mais adequado. Provavelmente diria para não se assustarem mas dá-me um certo gozo provocar reacções fortes. 

sexta-feira, outubro 08, 2010

A Língua Da Tua Mãe

 com certeza que escolho uma imagem com um belo par de patilhas

O Mário Vargas Llosa é o novo prémio nobel da literatura e disse assim. 
Não sou apenas eu que recebo este prémio, 
é também a língua em que escrevo e a minha região.

quinta-feira, setembro 30, 2010

ele alucina, ele inventa
um país diferente, um amor infinito
mártir de toda a gente

anda tudo a acontecer minha gente, tudo a acontecer.

sexta-feira, junho 25, 2010

já fui moço 
já sou homem
só me falta ser mulher
Popular

quinta-feira, junho 17, 2010

SINOPSE DA VERDADE-NACIONAL!


Ele parte de si próprio. Da sua fundação. Do momento inaugural, a parição da História. Ele não é ele, é todos. Um homem vezes todas as histórias de todas as guerras, de todas as mortes, de todos os sangues, de todos os choros, de todos os dentes arrancados em Portugal, país por concretizar. Regional, coração transparente, extirpa-te das tripas a Pátria encravada e devolve-ta exactamente assim: escarro, sonho, parede pintada que afirma exactamente assim: "É claro que acredito no Quinto Império, porque senão o acto de viver era inútil", quem o diz é o Agostinho da Silva, vais contrariá-lo?

quinta-feira, junho 10, 2010

É oficial, o aportuguesamento gráfico roque já é património púbico.

quarta-feira, junho 09, 2010

Tens de acreditar na existência de uma terra do coração 
numa Terra do Coração 
Adrian Borland

segunda-feira, junho 07, 2010

Morram os fadistas! 
Queimem as guitarras!
 Com tantas semanas que há para aí, 
porque é que não fazem
 uma semana anti-fado?!

diz o Vasco Santana 
e com razão n'"A Canção de Lisboa"

quinta-feira, março 18, 2010

Panfleto

  1.                   que celebre a vida, um cinema vivo;
  2.                   que não tenha de ser bom, tenha de ser sério;
  3.                   que assuma filiação em Kiarostami via Rosselini;
  4.                   que destrua as fronteiras da ficção e do documentário;
  5.                   sem actores;
  6.                   com pessoas;
  7.                   que confunda ontem, hoje e amanhã;
  8.                   pobre;
  9.                   que é produzido no improviso e na reacção;
  10.                   da assimetria, da rua, da sujidade, da beleza e de Portugal;
  11.                   que interfere no devir.

Com dedicatória e saudade para o Tiago.


segunda-feira, março 01, 2010

Panfleto

A Barbárie Começa Em Casa

Rapazes que não se submetem, que não crescem, devem ser tomados pela mão. Raparigas que não se submetem, que não assentam, elas devem ser tomadas pela mão. Um golpe na cabeça é o que levas por perguntar. Um golpe na cabeça é o que levas por não perguntar.

A pedagogia é de Morrissey, deus das flores e dos massacres; a lixada-guitarra-encantada é do Johnny Marr.

sexta-feira, fevereiro 05, 2010

Panfleto

Quando tudo ruir, quando a bomba finalmente explodir, o que é que resta? Resta a língua materna. Hannah Arendt