A lgures entre 1990 e 1999 sentiu-se odor a ressaca, bloqueio angst, forças de reacção. Mas, apesar de todas as tentativas, nem os Radiohead conseguiram matar a coisa pope. Das páginas desse comatoso libretto, até 2010 foi um salto, e na duração desse salto renasceu o roque, o apreço pelas formas pope clássicas, a sistemática exploração do imaginário sonoro e imagético de todos os excessos e não excessos dos 1980 e muita, muita criatividade proliferada em dezenas de "cenas", daqui até Brooklyn. Pelo menos foi assim que organizei mentalmente a coisa.
Por estarmos mais sozinhos e porque vamos ficar cada vez mais sozinhos, porque a experiência comunitária se fragmenta e fragmentará cada vez mais, porque os ícones agregadores ou as referências morais, sociais e políticas se vão tornando cada vez mais oblíquas, cada vez mais opacas, cada vez mais passíveis de indiferença, das duas uma, ou isto vai tudo pelos ares ou o caminho que começou em 2000 agravar-se-á. O que, musicalmente falando, pode ser bom. São estas as circunstâncias que geram coisas como os Animal Collective ou o Tiago Guillul, a Micachu ou Os Capitães da Areia. Ainda há algumas peças de fundo de catálogo para explorar no filão 80 e há quem, naturalmente, prefira o conforto de um lugar que já foi habitado ao confronto com a fragilidade daquilo que virá. A nostalgia, magia, doentia prosseguirá, invicta. O futuro atropela-nos, rápido, violento, sem penas, na Internet e fora dela, as canções que povoarão os próximos dez anos serão necessariamente resistência ou cedência a todos estes mal-entendidos. Daí que se espere criatividade, cores e foguetes, excesso na oferta e na forma, exercícios revivalistas. Nos entroncamentos onde se pensa em Português, parece-me que a grande resistência e criatividade estará presente aí, nas palavras e no instinto tropicalista: pegar a coisa, virá-la ao contrário e torná-la nossa.
Pessoalmente, é essa a minha esperança e a minha luta. Aquilo que ainda agora começou tem pelo menos dez anos para continuar. E ressoar.
Mas, na verdade verdadinha, se querem que seja honesto, tudo isto não interessa para nada, o que se espera sempre, seja em que década for, são grandes bandas, grandes artistas e grandes canções capazes de nos arrebatar e transportar para longe. Se é para sermos atropelados, que seja pela música. Até lá.
Isto está disponível no Diário de Notícias de hoje.
quinta-feira, fevereiro 25, 2010
quarta-feira, fevereiro 24, 2010
Raça da Verdade
Por falar em Homens-Verdade, aqui vai outro, menos Hipnótico Menino Branco, mais Católico Menino Branco. Jim Carrol e a sua banda-verdade, com a canção-verdade "People Who Died". Gente Que Morreu, em português.
terça-feira, fevereiro 23, 2010
Sou de um país
onde habitam os Homens-Verdade. Os Homens-Verdade são feitos de transpiração, de sangue, de choro. São construídos a partir de lobos. Têm terra nas unhas das mãos que não roem e nas frinchas da testa onde é possível interpretar a existência de luz e outros raios. São Homens que ostentam o nome que Deus escolheu para eles e que não ignoram o peso e a autoridade de um rio. Providencialmente viajam em contramão. Na realidade não são bem bem homens, antes ideias. A primeira delas todas é o Bruno Morgado.
segunda-feira, fevereiro 22, 2010
quinta-feira, fevereiro 11, 2010
quarta-feira, fevereiro 10, 2010
Coisas que irritam #8
Quando nos servem copos promocionais que não correspondem à bebida que foi pedida.
Alguém gosta de beber Sumol num copo de Super Bock?
Alguém gosta de beber Sumol num copo de Super Bock?
terça-feira, fevereiro 09, 2010
Gargalhada pós-moderna
A certa altura, durante o visionamento do Tudo Pode Dar Certo do Woody Allen, toda a sala se empolga em monumental gargalhada. Na cena em causa, um ultra-conservador cavalheiro do Sul, apercebe-se da sua homosexualidade reprimida em conversa com um alegre Nova Iorquino, saído directamente do Sexo e a Cidade. É preciso, em primeiro lugar, entender que nos filmes do Woody Allen, existe apenas uma personagem, a sua. O resto dos bonecos que compoem o enquadramento não passam disso mesmo: figuras bidimensionais, estereotipadas, que servem na definição da personagem principal ou no propósito burlesco. Isto tem piada. Mas não foi o factor risível desta construção aparentemente primária que despolotou a reacção. Foi um equívoco, outra coisa que não está ali. Foi o sentimento-vida-moderna-urbana de quem vai ao ginásio (obrigado Francisco pela imagem certeira) e está a par ou compreende a coisa. De quem já topou o que vai dentro de um origami. Desta espécie de holograma do Rhett Buttler. É um estava-se mesmo a ver tão óbvio quanto infantil. Sorte de contentamento ou alívio perante o desconforto da figura ultrapassada. Ah bom, afinal é como nós.
Vi a Fernanda Cãncio entrar para a sala de cinema, não faço ideia se participou ou não da catarse que aqui descrevo.
Vi a Fernanda Cãncio entrar para a sala de cinema, não faço ideia se participou ou não da catarse que aqui descrevo.
Da nossa insignificância
Invictus aborda a História como toda a História deve ser filmada, sem intenções virais, pairando sobre a memória. Clint Eastwood filma homens como se filmasse estátuas: na distância, no respeito e no pudor. É assim que se fundam os mitos, quando a forma se verga perante a impossibilidade de transpor a linha que contorna. A História é impenetrável e torna-se inspiradora precisamente por causa desse factor que nos afasta, que nos impede, que nos reduz à nossa insignificância.
sexta-feira, fevereiro 05, 2010
Panfleto
Quando tudo ruir, quando a bomba finalmente explodir, o que é que resta? Resta a língua materna. Hannah Arendt
Evangelho Quotidiano
Hoje a cabeça de João Baptista é oferecida sobre um prato. De que valem os juramentos que cumprimos neste mundo se nos traímos a nós e a Deus? tudo isto e muito mais em Marcos 6,14-29
quinta-feira, fevereiro 04, 2010
quarta-feira, fevereiro 03, 2010
Da República em Portugal e dos motivos para celebrá-la
Aqueles sítios em Coimbra onde os estudantes partilham poiso com garrafas de aguardente. O terror e o pandemónio, a desorganização e o poder da bala. O Dr. Soares. Será preciso dizer mais? Será. Repare-se na sequência histórica que sucedeu à morte do Rei D. Carlos. Uma I República do faroeste, 30 anos de ditadura + 30 de decadência. E uma bandeira feia, feia, feia.
terça-feira, fevereiro 02, 2010
Nacionalidade
Achei que era Grego até ao dia em que percebi que era Português. A partir daí tornei-me Romano.
Do meu nome
Na letra F do glossário da edição da Relógio d'Água do Fausto, essa das belíssimas ilustrações da Ilda David, surgem algumas pistas acerca do nome que um dia escolhi para mim. Também para me lembrar que tenho de ser um pouco menos diplomático.
Fúrias - Nome latino das Erínias, deusas da vingança e do castigo. Originalmente jovens e belas, transformam-se mais tarde em figuras terríficas de mulher, com serpentes nos cabelos, olhos gotejantes e baba na boca.
Fúrias - Nome latino das Erínias, deusas da vingança e do castigo. Originalmente jovens e belas, transformam-se mais tarde em figuras terríficas de mulher, com serpentes nos cabelos, olhos gotejantes e baba na boca.
segunda-feira, fevereiro 01, 2010
Aviso
A nostalgia, magia, doentia prosseguirá, invicta.
Esta frase faz parte de um texto maior, depois mostro.
Esta frase faz parte de um texto maior, depois mostro.
sexta-feira, janeiro 29, 2010
Meteorologia #6 (ser só mais um)
Às vezes molha, às vezes não. Às vezes encandeia, às vezes não. Tempo certo para adiar decisões, não pensar em nada. Estar à mercê do capricho climático, ser só mais um. Para somar à vida.
quinta-feira, janeiro 28, 2010
quarta-feira, janeiro 27, 2010
Sou de um País
cujo rumor é passível de ser decifrado no gesto incompleto de certas arquitecturas. Agrestes, pálidas. Na geografia antiga e ingénua que a montanha decidiu. Sem pecado. Que ainda não existe.
terça-feira, janeiro 26, 2010
Nem por acaso
Os Discos Com Sono disponibilizam o duplo single do Clube Naval, Fundação Atlântica, 1983 (bom ano). Neste mesmo dia começa a empreitada d'Os Capitães da Areia, banda que alegremente irei produzir. O Verão 2010 começa já.
Haverá alegria maior
do que a notícia do matrimónio de um grande, grande amigo?
Provavelmente sim, mas ainda não chegou a minha hora.
Meteorologia #5 (como se fosse outro país)
As condições climatéricas apresentam-se luminosas e com temperaturas próprias para o uso de luvas. É assim quando se viaja para uma grande capital do Norte. Anda-se por Lisboa e pensa-se em passar a manhã em museus ou em descobrir roteiros culturais. Anda-se por Lisboa como se fosse pela primeira vez.
sexta-feira, janeiro 22, 2010
quinta-feira, janeiro 21, 2010
Escolho não ser
de um tempo no qual as manifestações com que me deparo no Largo Camões são as de profissionais dos clubes de vídeo contra o download ilegal.
Não é pelo downlolad ilegal, nem pelos profissionais dos clubes de vídeo, mas é que, de facto, escolho viajar para outro tempo.
Não é pelo downlolad ilegal, nem pelos profissionais dos clubes de vídeo, mas é que, de facto, escolho viajar para outro tempo.
Anconteceu e foi simétrico
Escadarias no interior de um edifício em Lisboa. Uma de cada lado, confluem para o mesmo ponto. Na da esquerda o Pai, manco, na outra o filho, ágil. Para o mais novo esta descida é uma alegre competição.
Filho - Vou-te ganhar!
Pai - Vou-te perder.
Filho - Vou-te ganhar!
Pai - Vou-te perder.
quarta-feira, janeiro 20, 2010
Janeiro
Homens de resistência e fortaleza. Homens que defendem um tempo. Ultrapassados. Homens fiéis que erguem o estandarte da palavra e da tradição. Levá-la-á consigo Clint Eastwood para sempre, provavelmente. Mas a esperança não manca estanca alcança. Esse regresso, algures do futuro.
Janeiro
palavra
amizade
resistência, sim, resistência.
Na cinemateca, em Lisboa, o último dos grandes conservadores, Sam Peckinpah.
segunda-feira, janeiro 18, 2010
Verdade Popular
Tive a manhã toda a ouvir o Martinho. É mesmo assim: desorientados.blogspot.com transformado em canções. O mais desconhecido iconoclasta de Lisboa a revelar verdade popular. Ele La Tiene.
Subsídio
Tenho muitos planos. Tenho muitas ideias. Boas. Tenho muitas coisas aos saltos dentro da cabeça e dentro do coração. Para lá do oceano há terras cheias de riquezas. Só preciso de financiamento.
sexta-feira, janeiro 15, 2010
Mundo prepara gigantesca operação humanitária
Enquanto caminhava pelo Jardim do Império, Belém, uma senhora, enquanto caminhava pelo Jardim do Império, Belém, caiu. Assim, sem mais. Caiu. Alguém vai a andar pelo dia igual e cai. Pumba.
Com certeza que fui ajudar a senhora a restabelecer o equilíbrio e até providenciei uma caixa de primeiros socorros para o sangue que vertia do seu nariz. Fiquei a pensar nisto durante vários dias e contei a história a alguns amigos. Meia volta recordo o episódio e ainda me faz confusão. Experimentei aquilo à Jacinto Lucas Pires, com onomatopeias e justaposições a unificarem tudo, até porque a situação poderia estar num conto seu: alguém-que-cai-assim-sem-mais-nem-menos. E o terramoto que é.
Com certeza que fui ajudar a senhora a restabelecer o equilíbrio e até providenciei uma caixa de primeiros socorros para o sangue que vertia do seu nariz. Fiquei a pensar nisto durante vários dias e contei a história a alguns amigos. Meia volta recordo o episódio e ainda me faz confusão. Experimentei aquilo à Jacinto Lucas Pires, com onomatopeias e justaposições a unificarem tudo, até porque a situação poderia estar num conto seu: alguém-que-cai-assim-sem-mais-nem-menos. E o terramoto que é.
Alta fidelidade
O Samuel Úria de "Nem lhe tocava" foi crescendo, foi crescendo, foi crescendo. Parece que afinal também tem o dom das epifanias. Alta fidelidade a uma das propriedades que mais me encanta na FlorCaveira. Redimo as baratas considerações e peço um autógrafo.
quinta-feira, janeiro 14, 2010
Sou de um país
que está mal consigo próprio, logo mal com estes que o bem dizem. Não vai à bola com precipitação, vagas desfavoráveis, desiste e ri-se perante planos de grandeza. Ele exige demasiado e nunca mostrará gratidão. Mas como este país não existe no meu coração, é tranquilo.
quinta-feira, janeiro 07, 2010
quarta-feira, janeiro 06, 2010
Reis
Tão triste que ardeu dezenas de vezes a mesma canção pela tarde fora. Temendo o ameaçador naufrágio iminente. Mas serena. Vai atrás dela. Não serenes.
terça-feira, janeiro 05, 2010
segunda-feira, janeiro 04, 2010
Velha Aliança
Quando eles pedem Sol, por cá chove; quando estão tristes, nós ponderamos saltar da ponte sobre o Tejo; se estão alegres forma-se nevoeiro na segunda circular; quando a sua amada parte, a nossa parte para sempre.
É assim mesmo, ainda antes do mapa cor-de-rosa, sempre a perder.
É assim mesmo, ainda antes do mapa cor-de-rosa, sempre a perder.
Meteorologia #4 (simbiose brit)
Quem melhor que os ingleses para inventarem canções solares perfeitas para dias como este: de Janeiro, de chuva, de amores destruídos.
(vá, fechem lá os olhos e ouçam isto ao mesmo tempo que ouvem a chuva)
(vá, fechem lá os olhos e ouçam isto ao mesmo tempo que ouvem a chuva)
terça-feira, dezembro 29, 2009
Os discos do meu ano (ordem aleatória)


Eles São Os Smix Smox Smux / Smix Smox Smux: A minha adolescência no Vale do Ave revisitada em falsetes, guitarras à pavement e farturas.
Merriweather Post Pavillion / Animal Collective: A rebentar nas colunas do automóvel.
Pata Lenta / Norberto Lobo: Norberto é já para nós um lugar comum.
Discovery / LP: Verão.
Meio Disco / Os Quais: O chiado num fonograma. Qualquer coisa do meio do atlântico. Como se quer.
Os Velhos / Os Velhos: Os Velhos são a melhor banda portuguesa neste preciso momento. Este pequeno disco é isso mesmo.
Split - Te Voy A Matar/O Verão Nostálgico do Tiago Lacrau: O meu Verão.
quinta-feira, dezembro 24, 2009
quarta-feira, dezembro 23, 2009
Sendo mais claro
Como se pode aferir através da leitura d'O Inventor, quem por aqui escreve conduz e é vítima de dependência automóvel - o pudor impede-me que descreva certos percursos que por vezes percorro ao volante.
Ora bem, neste último trimestre de 2009 o autor deste blogue conseguiu lugar para estacionar em Lisboa, nada mais, nada menos do que em todas as horas, zonas e ocasiões. Todas. Por graça comentava com certas boleias que concedia: "O Cosmos ainda fará questão de repôr equilíbrio nisto...".
Pois o Cosmos fez mesmo questão de repôr equilíbrio nisto.
Senão vejamos, no espaço de uma semana:
1. Paguei uma coima de 120$ por não falar ao telefone;
2. Encravei uma Mercedes Vitto alugada numa garagem privativa, arruinando todo o lado direito da mesma;
3. Lixei o meu polegar esquerdo;
4. Fiquei sem gasolina no automóvel a meio de um percurso;
5. Desenvolvi uma úlcera na córnea.
Como dizia, o que me vale é não acreditar nessas coisas.
Ora bem, neste último trimestre de 2009 o autor deste blogue conseguiu lugar para estacionar em Lisboa, nada mais, nada menos do que em todas as horas, zonas e ocasiões. Todas. Por graça comentava com certas boleias que concedia: "O Cosmos ainda fará questão de repôr equilíbrio nisto...".
Pois o Cosmos fez mesmo questão de repôr equilíbrio nisto.
Senão vejamos, no espaço de uma semana:
1. Paguei uma coima de 120$ por não falar ao telefone;
2. Encravei uma Mercedes Vitto alugada numa garagem privativa, arruinando todo o lado direito da mesma;
3. Lixei o meu polegar esquerdo;
4. Fiquei sem gasolina no automóvel a meio de um percurso;
5. Desenvolvi uma úlcera na córnea.
Como dizia, o que me vale é não acreditar nessas coisas.
terça-feira, dezembro 22, 2009
É impressão minha
ou o debate político português é em tudo idêntico àquele das juventudes partidárias há 15 ou 20 anos atrás? O Pedro Adão e Silva confirmou, algures na TSF.
Paralelos
Na Senhora das Rosas da Sétima Legião, o Luís Represas é artista convidado e cantarola com alguma graça na cantiga em causa. Foi há 20 anos, em 1989. Agora no final de 2009 imagino que Os Golpes (banda na qual milito) possam fazer o paralelo (de circunstância para este postal) com a Sétima Legião. Mas e agora quem seria o Luís Represas? A avaliar pela sua última capa talvez o B Fachada, a avaliar pela potência vocal talvez o Samuel Úria, a avaliar pela decadência que se avizinha talvez o
segunda-feira, dezembro 21, 2009
Coisas que irritam #3
Quando o Cosmos resolve transformar a fortuna em má sorte. A coisa Kármika é complicada. O que me vale é não acreditar nisso.
quinta-feira, dezembro 17, 2009
A Sara e a Tristana!
A primeira vez foi quando ouvi a canção com o seu nome no disco do Vini Reilly, Amigos Em Portugal. Nunca as tinha visto, nem adivinhava sequer as suas aventuras pelo lado superficial da vida. Imaginei, logo aos primeiros acordes do piano dos Durutti Column, qualquer coisa loira ao pé da piscina. Um jogo de badmington, a canasta, ou qualquer outra prazenteira feminina actividade de jardim. Tranças sobrepondo o vestido branco de Verão, nossa senhora azul e branca ao centro, sumol de laranja partilhado em temperatura de cor Super 8. Depois pensei poder vir a conhecer as princesas da Fundação Atlântica, trocar impressões e confirmar a ilusão.
A segunda vez foi quando as vi à mostra na capa da FHM. O fascínio já não era pueril e a romatizada construção dinástica Atlântica também morreu aí. Se bem que aquilo que imagino de uma infanta portuguesa esteja muito próximo da robustez física das gémeas E.C.. Eu sou adepto de infantas portuguesas. Dessa anatomia própria para trabalhar o campo.
quarta-feira, dezembro 16, 2009
A Sara e a Tristana...
...acabaram de chegar. Esta mais próxima é a Tristana (imaginem que não é um baixo, mas uma guitarra).
terça-feira, dezembro 15, 2009
Letras de canções e o apelo irresistível do infinitivo -ar, -ar, -ar
Bairro amarelo
encalhado à beira mar
Bairro vermelho
atolado entre a areia e o óleo e a espuma do mar
O Atlântico não serve para sonhar
O Oceano existe só que é para matar
O peixe não cai do céu
puxa-se do mar vem a estoirar
A canalha vai de roda
a jogar e a brincar
sem dor
parto sem dor
encalhado à beira mar
Bairro vermelho
atolado entre a areia e o óleo e a espuma do mar
O Atlântico não serve para sonhar
O Oceano existe só que é para matar
O peixe não cai do céu
puxa-se do mar vem a estoirar
A canalha vai de roda
a jogar e a brincar
sem dor
parto sem dor
segunda-feira, dezembro 14, 2009
quinta-feira, dezembro 03, 2009
Mundo de Aventuras
Hoje é dia de São Francisco Xavier sj, missionário, aventureiro do Reino. Hoje é dia de memória de grandes aventuras pelo mar e de planos para outras, novas, futuras e impossíveis empresas. Celebremos neste dia a China que nos comanda e espera. Para morrermos às suas portas.
segunda-feira, novembro 30, 2009
"Hoje só dá Samuel"
Não garante violentas comoções ou lixadas epifanias como O Caminho Ferroviário Estreito, nem nos reduz à nossa insignificância como Samuel Úria Em Bruto. A alta fidelidade comprometeu a verité? Provavelmente. Mas Samuel Úria está muito para além destas baratas considerações, sílaba a sílaba, caminhando para a eternidade. Qual Sammy Davis Jr., passo a passo, no plano final do Ocean's Eleven.
sexta-feira, novembro 27, 2009
A Ciência dos Futuros
Com os Modest Mouse, Secret Agent X-9, modesto minuto e doze segundos nos ouvidos, dou por mim a pensar em coisa costumeira: Navegar sem mapa.
quinta-feira, novembro 26, 2009
Meteorologia #2 (porque o Som e a Fúria diz, também, que "o homem é a soma das suas experiências climáticas")
Espera-se chuva e céu nublado. Limpa-para brisas no máximo ou Inter-Cidades. É tempo de esquecer o Verão. Inconsequente esta última e nostálgica fixação que se fez sentir pelo Verão em 2009. Falo de discos, falo de bandas de roque, pois claro. Mas também falo de crónicas jornalísticas, indumentárias coloridas ou de olhares perdidos. O Outono serve para isto mesmo, esquecer o Verão e assumir o lado agreste da coisa. É tempo de calçar as meias altas, assumir a estação sem receios e tirar partido dela na sua plenitude: agora o mar atlântico é aquele que tormenta.
É certo que não neva. É certo que alguns jovens com tendências crónicas para a tristeza têm algum medo (e é da maneira que escrevem mais canções). É certo que também me estou a convencer a mim próprio.
É certo que não neva. É certo que alguns jovens com tendências crónicas para a tristeza têm algum medo (e é da maneira que escrevem mais canções). É certo que também me estou a convencer a mim próprio.
A virilidade da fé
No seu ensaio A Agonia do Cristiniasmo, ed. Cotovia, Miguel de Unamuno, para além de duas ou três baboseiras, como a contracapa certeiramente confere aqui, Quando um jesuíta (...) vos disser que estudou muito, não acrediteis. É como se um deles, porque faz todos os dias 15 quilómetros de percurso dando voltas ao pequeno jardim da sua residência, vos dissesse que viajou muito (desde que Francisco Xavier sucumbiu às portas da China em 1552, que a Companhia de Jesus é, também, tradição de grandes viagens), tem, algumas, distintíssimas pérolas. Atente-se o título do capítulo VI, que utilizo como título deste postal, ou o conteúdo do mesmo logo no segundo parágrafo: A fé ingénua e robusta do padre Jacinto não compreendia que ilusão, recordação e esperança não são três hipóteses, mas uma só, que a esperança é uma recordação e que as duas são ilusões e que a fé é, segundo São Paulo, a substância das coisas que se esperam (Heb, XI, 1). A substância de se ser em português: ilusão-recordação-esperança todos num só e querer sê-lo o mais longe possível dos mal-entendidos do mundo.
Esperança-ilusão-recordação pessoal a curto prazo: como o Padre Jacinto ou como uma criança, acreditar sem fazer perguntas. Ingénuo e Robusto.
Esperança-ilusão-recordação pessoal a curto prazo: como o Padre Jacinto ou como uma criança, acreditar sem fazer perguntas. Ingénuo e Robusto.
terça-feira, novembro 24, 2009
Algumas notas acerca da cena popular
- Os jogos tradicionais, (inventar um desporto de campo português, como o futebol australiano);
- O artesanato (cumpri-lo);
- Os botins (viagem a Madrid, a ver se a lente do Sartorialist os apanha);
- As lutas (jogá-las com os inimigos);
- A música urbana (cumprida n'Os Capitães da Areia);
- Tropicais (os jardins e as canções)
- As almas (mestiças)
Hora Zero
E então ele começou a brincar com palavras.
Um tempo antigo e ele brincou com terra.
Antes de nós ele regou o quintal com sangue daqueles que matou.
Não veio para fazer amigos, antes para preparar o caminho.
Começam agora as aventuras ciberespaciais d'O Inventor.
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